Histórias de sucesso #105: César Manuel Granda Pereira - Aprovado nos concursos de Juiz Substituto do TJSP e do TRF-2

01 - Concurso(s) para magistratura qual(is) foi aprovado:

R: Tribunal Regional Federal da 2ª Região e Tribunal de Justiça de São Paulo

 

02 - Outros concursos em que foi aprovado:

R: Analisa Judiciário do TRF1

 

03 - Período de estudos até a primeira aprovação em concursos de magistratura:

R: 3 anos e 8 meses

 

04 - Trabalhou durante os estudos? Cargo?

R: Não. Comecei a trabalhar apenas após a primeira aprovação

 

05 - Tempo médio de estudos diário (horas líquidas):

R: 4/5 horas líquidas. Durante 3 anos fiz a Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ), em que tinha aula em um dos turnos. Nos 8 meses seguintes estudei com exclusividade, até a aprovação. 

 

06 - Quantas matérias diferentes lia por dia? E em uma semana?

R: Meus estudos não eram nada lineares. Uma vez disseram que eu tinha uma apreensão do conhecimento sinestésica (risos), mas, de fato, chegava a estudar 4/5 matérias por dia. Raramente estudava apenas uma. E no mesmo dia estudava por leitura de textos (doutrina), jurisprudência, exercícios e aulas – não necessariamente tudo ao mesmo tempo.

 

07 - Estudava sábados/domingos/feriados?

R: Sim. Embora considere ser essencial o descanso, por vezes, descansava durante a semana e estudava nos sábados e feriados. Domingo era mais raro, mas também ocorria.

 

08 - Utiliza grupos de facebook/whatsapp para estudar? Acredita que valha a pena?

R: Não usei para o facebook. Utilizei o whatsapp para articulação com os colegas na segunda fase. Os grupos dos colegas aprovados para a 2ª Fase foram sempre úteis. Mas, no meu caso, a minha conexão do concurso se deu pelos amigos de Biblioteca da EMERJ (nominalmente, Pedro Ávila, Pedro Brahim, Paulo, Juliana e Michelline – todos aprovados/no caminho avançado da aprovação. Essa turma foi essencial)

 

09 - Fazia resumos/cadernos ou utilizava algum feito por outras pessoas?

R: Sempre usei material alheio. Não tenho talento para fazer caderno ou materiais próprios e, se tivesse que adquirir essa habilidade, provavelmente estaria estudando até hoje.

 

10 - Fazia revisões do estudo nos moldes propostos por coachings (24h, 48h, 7 dias etc)? Com qual frequência?

R: Não

 

11 - Com qual frequência fazia exercícios para prova objetiva?

R: Frequentemente. A prova objetiva sempre me assombrou bastante.

 

12 - Com qual frequência lia “lei seca”?

R: Tive muita dificuldade em me adaptar a leitura de “lei seca”, mas tive períodos de metas diárias de leitura.

 

13 - Com qual frequência lia jurisprudência? Lia diretamente dos sites dos Tribunais Superiores ou através de outros sites (como dizer o direito ou EBEJI)?

R: Ao menos, semanalmente. Além das revisões de jurisprudência pré-prova. Usava muito o Dizer o Direito, principalmente no preparo da primeira fase. Para as revisões de 2ª fase imprimia os informativos direto do site do STJ.

 

14 - Indicaria algum curso online com foco em magistratura/carreiras jurídicas?  Indicaria algum curso de oratória para a fase oral?

R: Sem querer puxar a sardinha, mas já puxando, o Magistratura Estadual em Foco (MEEF) contribuiu bastante para a segunda fase do TJSP. Não fiz nenhum curso online para 1ª Fase, mas na segunda fiz alguns e foram úteis (Vorne e BND para a Magistratura Federal e MEEF para a estadual).

 

15 - Indica algum método diferenciado de estudos para alguma das fases (objetiva/discursiva/sentenças/oral)?

R: Sim. Cada fase é própria e avalia habilidades diferentes. Para a 1ª (foi meu maior gargalo), lei seca, questões e informativos de jurisprudência. Para a 2ª, muito treino, para não falhar na forma e no tempo de resolução, e estudo específico da banca. Para a Oral, muito treino.

 

16 - Estudava a banca/examinadores responsável pela elaboração das provas da segunda fase em diante?

R: Muito! Eu fiz três 2as fases. Nas três eu estudei muito a banca, depois de dominar a forma e a rapidez na resolução das questões basicamente só estudava o material das bancas examinadoras.

 

17 - Se o tribunal é responsável pela elaboração das sentenças e tem um posicionamento diverso do pacificado nos Tribunais Superiores, adotaria qual posicionamento?

R: O do Tribunal, principalmente para bancas que são compostas por membros do próprio Tribunal. Para as bancas do tipo CESPE/ VUNESP – nunca cheguei a fazer uma segunda fase desse tipo – adotaria o do Tribunal Superior.

 

Recado para aqueles que ainda estão em busca da aprovação:

R: Sempre uso o binômio resiliência/circunstância para sintetizar a trajetória na experiência de concurso público. Realmente acredito que passe por esses dois fatores, o que significa também dizer que durante o estudo há que se colocar o empenho pessoal e ser resiliente, constante, rijo, para perseguir o objetivo, mas, para além disso, reconhecer que há circunstâncias externas que influenciam no resultado, o que renova a exigência de ser resiliente durante as reprovações amargas.

Ainda sobre a escolha profissional, é importante compreender que o objetivo da magistratura – por mais que seja intenso e ocupe boa parte do nosso tempo – não é a totalidade da nossa existência. Somos filhos/as, namorados/as, noivos/noivas, maridos/esposas, pais/mães, amigos/as, temos deveres religiosos, familiares, de amizade e de solidariedade. A ordem no valor das coisas, sem dúvida, ajuda a encontrar um caminho mais leve rumo ao objetivo profissional.

Embora possa parecer um pouco “dark”, sempre gostei de meditar na morte para compreender o valor relativo das coisas que vivemos aqui. É um ensinamento da minha religião (sou católico) de que não devemos colocar nosso sentido de vida meramente no acúmulo das alegrias materiais, pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a eternidade? Acredito no valor sobrenatural das coisas e, por essa mesma razão, penso que devemos cumprir bem os deveres - ainda que seja o de estudar, sem remuneração – sobrenaturalizando o trabalho de cada dia e, assim, encontrando um valor muito maior do que a mera aprovação. À medida em que se percebe o valor do preparo em si mesmo, do estudo solitário e árduo, menos terror gera a reprovação, e com mais naturalidade se vive o caminho da aprovação.

Este caminho é também possibilidade privilegiada de se treinar inúmeras virtudes (humildade, constância, fortaleza, ordem, temperança), não impedindo ainda que ajudemos os outros, ao longo do processo, pelo exemplo e referência de trabalho sério e bem vivido. Nada disso depende do resultado final, e isso importa mais. Não é o meu caso, mas penso no belo exemplo de um pai que ensina o filho o valor do trabalho e do senso de comprometimento, de sacrifício e de abnegação ao longo dos estudos para o concurso.

Já vi muitas histórias de superação de dificuldades e de circunstâncias de vida no âmbito do concurso, mas essas histórias de “finais felizes” nunca se fizeram sem a superação de si mesmo na aquisição das virtudes humanas e sobrenaturais. Não temos o direito a nada, mas podemos muito.

Por isso, sintetizando o recado que gostaria de deixar: ponham sim toda a excelência humano no preparo, mas não encarem a preparação como algo que se coloca como um obstáculo entre o presente e o futuro desejado. O tempo presente é o que se tem, e é no tempo presente – estando efetivamente presente no caminho de preparo – é que se forjarão as virtudes necessárias, não só para a aprovação, mas, principalmente, para o desempenho da atividade profissional na Magistratura, ou qualquer outro caminho que se apresente durante os anos de estudo.

 

                                               BIBLIOGRAFIA

 

Quais livros/autores ou cursos/cadernos indicaria para os estudos nas matérias abaixo (se possível, especificar o professor de cada matéria nos cadernos/cursos):

Direito Administrativo – Rafael Oliveira

Direito Ambiental – Não usei doutrina específica

Direito Civil – Flávio Tartuce

Direito Constitucional – Pedro Lenza/ Bernardo Gonçalves

Direito do Consumidor – Não usei doutrina específica

Direito do Eleitoral – Não usei doutrina específica

Direito Empresarial – Gosto dos livros do Marlon Tomazette, mas o Santa Cruz tem uma abordagem mais enxuta e suficiente.

Direito da Criança e do Adolescente –  Não usei doutrina específica.

Direito Penal – Parte Geral – Cléber Masson

Direito Penal – Parte Especial do Código Penal – Não usei doutrina específica. Mas penso que os Códigos Comentados são bons.

Direito Penal – Legislação extravagante -  Não usei doutrina específica

Direito Processual Civil – Alexandre Freitas Câmara

Direito Processual Penal – Eugênio Pacelli

Direito Tributário – Ricardo Sabbag

Humanística – Nenhum, mas nada contra.

Sentença Cível – Nenhum, mas nada contra.

Sentença Penal – Ricardo Schmitt

Qualquer livro/curso que indique para o concurso que não se encaixa nas matérias acima (ex: livro de discursiva da juspodivm que tem várias matérias, vade-mécum de jurisprudência etc) -